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A perspectiva científica sobre a economia circular pelos professores Gustavo Nobre e Elaine Tavares no portal Investing

Portal: Investing.com

Nos últimos anos, tem havido crescente preocupação global com a preservação dos recursos naturais do planeta. Conceitos relacionados à sustentabilidade – alguns novos, outros clássicos, mas renovados, e outros sobrepostos, estão mais presentes entre profissionais, governos, pesquisadores e consumidores. Com isso, a Economia Circular tem encontrado espaço na academia e nas agendas dos executivos. Até porque ela se apresenta hoje como uma tendência e, apesar de várias definições dadas ao termo, seu significado ainda é objeto de estudos. Se de um lado é compreensível devido à relativa novidade do tema (o conceito é antigo mas ficou mais forte somente na década passada), por outro várias interpretações podem ocasionar o seu uso indevido, prejudicando diretamente a sua essência. 

Hoje há uma enxurrada de interpretações e algumas organizações tendem a moldar o termo Economia Circular de acordo com suas próprias definições e paradigmas, em vez de adaptar seus negócios. Além de enfraquecer e descaracterizar o conceito, tal prática, quando representada através de propagandas e até em relatórios de sustentabilidade, mas que não se traduzem de fato em comportamentos genuinamente sustentáveis, tem sido observada com uma certa frequência e é conhecida como greenwashing (lavagem verde). Ou seja, é a apropriação injustificada e divulgação de virtudes ambientalistas distorcidas. Por exemplo, aquela empresa que faz uso constante de fontes de energia não limpas, emite poluentes além do permitido, tem uma alta geração de resíduos despejados no meio-ambiente e faz uso irregular de mão-de-obra para fabricar seus produtos, mas dá de brinde aos seus clientes canetas de feitas de bambu. 

Para que uma empresa pratique a economia circular, o conceito deve fazer parte do seu DNA. Não basta uma boa ação, campanha pontual ou somente aplicar o sistema 9R, por exemplo, (Recusar, Repensar, Reduzir, Reutilizar, Reparar, Renovar, Remanufaturar, Ressignificar, Reciclar e Recuperar). Adicionalmente, é fundamental que tal conceito seja robusto o suficiente para se manter válido mesmo com o surgimento de novos modelos e ferramentas relacionados, para que ele possa ser usado por um longo tempo sem riscos de volatilidade.

E, justamente por esse motivo, resolvemos nos aprofundar na questão e realizamos um estudo com 87 experientes especialistas em Economia Circular de vários países para buscarmos identificar uma visão predominante que expressasse o verdadeiro conceito da Economia Circular em nome da boa prática coletiva. Para alcançar o maior número de participantes, a pesquisa se resumiu a uma única pergunta aberta (além das demográficas): “Usando suas próprias palavras, por favor descreva o que você entende por Economia Circular”. A pesquisa não partiu do zero: além da consulta realizada junto a especialistas, todos os principais estudos anteriores relacionados ao tema também foram levados em consideração e representaram importante fonte de informação.

Resultado: o diferencial da conclusão encontrada na pesquisa é uma proposta de definição completa do que é Economia Circular: “Um sistema econômico que tem como meta zero resíduos e poluição ao longo dos ciclos de vida dos materiais, desde a extração dos recursos até a transformação industrial e junto aos consumidores finais, sendo aplicado a todos os ecossistemas envolvidos. 

Ao final da vida útil, os materiais retornam para algum processo industrial ou, no caso de resíduos orgânicos tratados, de volta em segurança ao meio ambiente como em um ciclo regenerativo natural. O modelo opera criando valor nos níveis macro, meso e micro e explora ao máximo o “nested concept” da sustentabilidade. Fontes de energia utilizadas são limpas e renováveis. Uso e consumo de recursos são eficientes. Agências de governo e consumidores responsáveis desempenham papel fundamental, assegurando operações corretas e duradouras.”

Acesse a matéria na íntegra clicando aqui.

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