fbpx

Novo artigo do prof. Luis Antonio Dib foi publicado no portal Investing.com

Portal: Investing.com

Por Que Devemos Focar no Fracasso? Sobre Padrões e Sobreviventes:

Em seu livro “O Andar do Bêbado”, o físico Leonard Mlodinow comenta sobre a capacidade humana de perceber padrões. É algo muito útil e que levou, entre vários outros exemplos possíveis, que alguém como Isaac Newton refletisse sobre as regularidades apresentadas por objetos em queda e criasse sua lei da gravitação universal. Entretanto, o que pode ser uma vantagem da espécie humana também pode ser uma deficiência. É o que levou, também entre vários outros exemplos possíveis, o treinador de futebol Cuca a atribuir poderes mágicos à sua calça vinho, que estaria diretamente envolvida com o título de campeão brasileiro do Palmeiras em 2016.

Atire uma pedra quem nunca foi culpado de lógica semelhante. Garanto que Cuca sairia ileso. Nós temos uma enorme dificuldade em separar causalidade (uma causa levando a uma consequência) de correlação (dois acontecimentos ocorrendo simultaneamente, muitas vezes de modo aleatório). Pior, como foi argumentado pelo psicólogo Albert Michotte, é como se nós pudéssemos “ver” a causalidade, como vemos as formas de um objeto. Reparem em uma história contada no livro “O Cisne Negro”, de Nassim Taleb. Os preços dos títulos do tesouro dos EUA aumentaram inicialmente no dia da captura de Saddam Hussein no Iraque. Tais títulos são ativos mais seguros, e a Bloomberg News lançou a manchete: TÍTULOS DO TESOURO AUMENTAM; CAPTURA DE HUSSEIN PODE NÃO REDUZIR O TERRORISMO, para justificar o movimento dos investidores. Depois, os preços dos títulos começaram a cair e a manchete foi revisada: QUEDA NOS TÍTULOS DO TESOURO; CAPTURA DE HUSSEIN AUMENTA A PROCURA POR ATIVOS DE RISCO. Saddam Hussein era a notícia do dia e, como a busca automática por causas molda nosso pensamento, estava destinado a ser a explicação de tudo o que acontecia no mercado. É lógico que uma afirmação que pode explicar dois resultados contraditórios nada explica.

(Abre um parênteses rápido. O psicólogo Daniel Gilbert propôs que a compreensão de uma declaração deve começar com uma tentativa de acreditar nela. Daniel Kahneman, em seu livro “Rápido e Devagar”, mostra como nosso cérebro tenta “ganhar tempo” na hora de fazer julgamentos para a tomada de decisão e, portanto, tem forte inclinação por acreditar. Ser incrédulo é trabalhoso e demanda mais tempo. Pronto, agora você entendeu o apelo das fake news e o comportamento de seus amigos e parentes disseminando informações absurdas nos grupos de WhatsApp, seja à esquerda ou à direita, desde que reforcem a conclusão que já tomaram. Mas será que você não anda fazendo o mesmo? Ah, para complicar, já foi provado que o domínio das conclusões sobre os argumentos é ainda mais pronunciado quando existem emoções fortes envolvidas.)

Voltemos aos padrões. Você já deve ter ouvido falar que Bill Gates, fundador da Microsoft (NASDAQ:MSFT) (SA:MSFT34) e uma das pessoas mais ricas do mundo, abandonou os cursos de Matemática e Direito em Harvard para se dedicar à sua empresa. Steve Jobs, visionário fundador da Apple (NASDAQ:AAPL) (SA:AAPL34), passou 18 meses assistindo aulas no Reed College, mas decidiu que a faculdade não era para ele e foi trabalhar na Atari, antes de criar seu próprio negócio. Como os dois, ouvimos histórias de outros empreendedores bem sucedidos que largaram a faculdade para montar suas empresas. Está conseguindo perceber um padrão? Qual seria uma boa recomendação para dar a um garoto que queira se tornar um empreendedor de sucesso como Gates ou Jobs? Perder tempo fazendo faculdade?

Opa, calma com as conclusões! Você acaba de ser vítima do encanto exercido por olhar apenas para os “sobreviventes”. Pense agora naquele seu primo ou naquela sua conhecida que largaram a faculdade para tentar tocar um negócio ou ganhar experiência. E acabaram amargando enormes fracassos pessoais e profissionais. Quantas pessoas assim existem por aí?

Acesse a matéria na íntegra clicando aqui.

Rolar para cima