Finanças comportamentais: “Oh vida, oh azar… Por que tudo só piora?”

O professor de Marketing e Negócios Internacionais, Luis Antônio Dib, comenta sobre declínio social em vários ambitos e, inclusive, econômico.
Artigo: Profº Luís Antônio Dib

Você já ouviu falar em “Declinismo”? Segundo a Wikipedia, trata-se da crença de que uma sociedade ou instituição está tendendo ao declínio. Particularmente, é a predisposição, possivelmente devido a vieses cognitivos, que nos leva a ver o passado de forma mais favorável e o futuro de forma negativa no longo prazo ou de modo permanente.

A crença pode ser originalmente atribuída ao trabalho de Edward Gibbon. O historiador inglês publicou, ao redor de 1780, o livro “Declínio e Queda do Império Romano”. Nele, Gibbon argumentou que Roma entrou em colapso devido à perda gradual da virtude cívica entre seus cidadãos, que se tornaram preguiçosos, mimados e inclinados a contratar mercenários estrangeiros para lidar com a defesa do estado. Ele acreditava que a razão deveria triunfar sobre a superstição para salvar as então superpotências da Europa de um destino semelhante ao do antigo Império.

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Daniel Kahneman, o vencedor do Nobel por seus trabalhos sobre Economia Comportamental, falou do viés da confirmação. Nós buscamos provas e evidências para suportar aquilo no qual já acreditamos, muitas vezes de modo apenas intuitivo. Sem dúvida, esta maneira de nosso cérebro “ganhar tempo” ou mesmo buscar conforto psicológico também contribui para o declinismo, pois geralmente filtramos e interpretamos os dados ou fatos de maneira a apoiar a visão de um mundo em declínio.

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O mercado financeiro, muito influenciado pelas expectativas futuras da economia, também sofre no processo. A perspectiva individual trazida pelo declinismo pode levar as pessoas a serem excessivamente pessimistas e, portanto, não tomarem decisões que as ajudem racionalmente a se preparar para o futuro, seja financeiramente, seja em outras dimensões (como a saúde, por exemplo). Mas, talvez, a maior tragédia desse viés seja que nossa expectativa coletiva de declínio pode contribuir para uma profecia a ser realizada no mundo real. A sensação de que a sociedade está em declínio pode nos levar a desconfiar das autoridades. Isto foi constatado por um estudo que mostrou que as pessoas concordam com o populismo porque sentem que a elite política falhou com elas, por não ter o melhor interesse no coração. Embora algumas dúvidas e resistências contra a elite política sejam saudáveis, o declinismo muitas vezes nos deixa com a sensação de que não há esperança nem futuro. É precisamente aí que corremos o maior risco, como sociedade, de entregar nosso futuro a “falsos profetas” e toda espécie de charlatões. Já aconteceu naquele passado que achamos que foi melhor.

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