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Carlos Heitor Campani fala sobre imprevistos, investimentos e finanças pessoais

Portal: Valor Investe

Prevenir-se contra o improvável é fundamental para uma vida financeira pessoal saudável.

No ano passado eu divulgava, a cada rodada do Campeonato Brasileiro de futebol, as probabilidades de, por exemplo, cada time ser campeão. Voltemos no tempo e suponhamos que o simpático América, em determinada rodada, seja o candidato mais provável ao título, com 45% de chances. Ano passado, recebi algumas mensagens do tipo: “seu modelo está errado, vamos ver ao final se realmente o América será o campeão”. Ora, esse teste de conformidade sugerido por este comentário está profundamente equivocado, concorda?

Primeiro porque um teste de modelo de probabilidades precisa da repetição do evento por diversas vezes e jamais uma única observação provará que o modelo está correto ou incorreto. Além disso, por óbvio, perceba que se o modelo dá 45% de chances para o América ser campeão, o mais provável é ele NÃO ser campeão porque, afinal de contas, os demais clubes agregam mais chances (55%), não é mesmo?

O ponto é que nosso cérebro não lida muito bem com probabilidades, de forma que precisamos acionar o sistema 2 de Daniel Kahneman para entender o que está por detrás de uma probabilidade. Este conceito, tão importante em Finanças e em muitas outras áreas do conhecimento, é muitas vezes mal interpretado. Dizer que um evento é provável não quer dizer que, se ele vier a não ocorrer, o cálculo da probabilidade tenha sido equivocado! Dizer que um evento é improvável tampouco quer dizer que ele não ocorrerá.

No último domingo, na decisão da Supercopa do Brasil, entre Flamengo e Palmeiras, a disputa dos pênaltis estava em 3 x 1 para o Palmeiras, tendo cada time duas cobranças por fazer. Para o Flamengo seguir vivo na luta, apenas um caminho lhe era favorável: o Palmeiras teria que perder as suas duas cobranças e o Flamengo converter as suas. Considerando uma probabilidade de 80% de gol em um pênalti, a chance de o Flamengo igualar o marcador ao final das 5 cobranças era, portanto, de: 0,20 x 0,80 x 0,20 x 0,80 = 2,56% de chances (Palmeiras errar, Flamengo acertar, Palmeiras errar e Flamengo acertar).

Mas, isso era para o Flamengo igualar o marcador. A partir dessa igualdade, considerando que cada time passaria a ter 50% de chances de sair vencedor, a probabilidade do Flamengo levar a taça para a Gávea no momento dos 3 x 1 nos pênaltis era, assim, de apenas 50% de 2,56%, ou seja, 1,28%. Era como se numa urna houvesse 78 bolinhas coloridas, sendo 77 em verde (dando o título para o Palmeiras) e apenas uma em vermelho e preto. E a bolinha sorteada foi… a única vermelha e preta: uma em 78! Em outras palavras, o evento extremamente improvável (Flamengo sagrar-se campeão no momento dos 3 x 1 nos pênaltis) acabou de fato acontecendo.

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